A Clínica Social de Psicanálise Hélio Pellegrino leva em conta o fato de que as pessoas movidas por um desejo de aproximação com o campo psicanalítico possam ser levadas a buscar as chamadas “graduações em psicanálise”. Verificou-se uma oferta crescente de tais cursos em anos recentes e uma propaganda massiva, no sentido de vender estes “cursos de graduação em psicanálise” como se fossem cursos profissionalizantes.
A psicanálise, desde sua origem, não se organiza nos moldes acadêmicos tradicionais. A formação de um psicanalista está historicamente fundamentada em um tripé: (1) a análise pessoal do candidato, (2) a supervisão clínica contínua e (3) o estudo teórico aprofundado, realizado em instituições psicanalíticas reconhecidas pela própria comunidade psicanalítica que estejam em um diálogo consistente com a tradição inaugurada por Freud.
Nesse sentido, a obtenção de um diploma de graduação em psicanálise, por si só, não garante a travessia daquelas etapas fundamentais, nem assegura a experiência subjetiva e clínica necessárias ao exercício da prática analítica. A formação em psicanálise implica um percurso singular, que não pode ser reduzido a uma certificação formal ou a uma estrutura curricular convencional.
A própria referência a cursos de “graduação em psicanálise” deve ser analisada com cautela, à luz das normativas educacionais vigentes, como a Portaria nº 003/2026 do Ministério da Educação, que orienta sobre a oferta e o reconhecimento de cursos superiores e reforça a necessidade de clareza quanto à natureza e aos limites de certificações acadêmicas. A Portaria recém publicada, atendendo à Nota Técnica nº 06/2025, redefine a nomenclatura e escopo dos cursos de graduação em psicanálise, que passarão a se denominar “Estudos Teóricos Psicanalíticos e Sociais” (Bacharelado). A norma veta o uso de termos que remetem à prática clínica ou formação em saúde, reforçando que a formação do psicanalista não ocorre por diploma universitário, mas sim por instituições tradicionais, reconhecidas e fundadas para este fim.
Para aqueles que desejam iniciar um percurso consistente de formação, recomenda-se a busca por instituições psicanalíticas que estejam comprometidas com o tripé formativo conforme acima mencionado e que reconheçem a singularidade e complexidade próprias a esta formação. Dentre estas, é possível encontrar instituições que se ocupam já há décadas na formação em psicanálise no Brasil – sendo assim muito anteriores ao surgimento de ofertas dos chamados “cursos de graduação”. Na cidade de Ribeirão Preto, por exemplo, podemos citar a Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (vinculada à International Psychoanalytical Association – IPA), o IEP (Instituto de Estudos Psicanalíticos) e o CLIN-a (Centro Lacaniano de Investigação da Ansiedade, instituto ligado à EBP – Escola Brasileira de Psicanálise e AMP – Associação Mundial de Psicanálise). Tais instituições oferecem espaços de estudo, discussão clínico-teórica e acompanhamento formativo reconhecidos.
Dessa forma, a Clínica Social de Psicanálise Hélio Pellegrino reafirma seu compromisso com uma formação rigorosa, ética e alinhada com os princípios fundamentais da psicanálise, não reconhecendo a graduação em psicanálise como habilitação suficiente para o exercício da função de psicanalista, e incentivando aqueles interessados a se aproximarem de instituições e percursos formativos que sustentem, de fato, a experiência analítica em sua complexidade.
Atenciosamente
LUIS FERNANDO SCOZZAFAVE DE SOUZA PINTO (membro fundador e gestor da Clinica Social de Psicanálise Hélio Pellegrino)
DANIEL NOGUEIRA MEIRELLES (membro da Clinica Social de Psicanálise Hélio Pellegrino)
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